Meta de 2016: deixar de seguir não é deixar de amar o outro, mas amar mais a si mesmo

Eu perdi a minha lista de metas para 2016. Quis ser descolada e larguei o papel. Não funcionou, deletei o arquivo e esqueci tudo. Além de fazer exercícios e me alimentar melhor – itens que lideram a enfadonha tarefa de definir objetivos para os próximos 12 meses há uns 10 anos por aqui – lembro só de uma. Um metinha só, coisa pouca para 366 dias. O dia a mais do ano bissexto pareceu uma ironia do destino, para rir da minha falta de objetivos a cumprir. Continue lendo “Meta de 2016: deixar de seguir não é deixar de amar o outro, mas amar mais a si mesmo”

Flúvia Lacerda será capa da Playboy: o que eu, você e o mundo ganhamos com isso

Antes de mais nada, quero dizer que conheci Flúvia Lacerda numa das suas milhões de campanhas como modelo plus size. Depois, comprei uma revista Trip com ela de calcinha e sutiã na capa e me apaixonei por ela em uma frase que dizia mais ou menos assim: “não que ela ache ruim ser conhecida como a Gisele Bündchen do plus size, apenas gosta de imaginar que num futuro próximo as modelos plus size serão conhecidas apenas como modelo”. Continue lendo “Flúvia Lacerda será capa da Playboy: o que eu, você e o mundo ganhamos com isso”

“Você pre-ci-sa ver essa série” e outras mentiras que te contam

Melhores amigos ou recém-conhecidos, tanto faz. O papo começa e dois minutos depois alguém comenta sobre uma série que eu não fazia ideia de existia ou simplesmente não tenho interesse em ver. O tom nunca é de sugestão. É quase impositivo. Geralmente me sinto olhando para uma daquelas máquinas de bolhas de sabão e cada circunferência furta-cor é um argumento. Minha vontade é virar as costas. Respondo com um sorriso amarelo e um “nossa, que demais! Vou ver, sim”. É mentira. Continue lendo ““Você pre-ci-sa ver essa série” e outras mentiras que te contam”

“Os piás só queriam jogar bola”

A terra do Oeste catarinense é vermelha. Um tom que era a marca registrada dos meninos da minha infância. Os pés, como carimbos, iam marcando o chão por onde passavam. Nem precisava contar: estavam jogando bola. Nasci há 46 quilômetros de Chapecó. Mas poderia ter nascido do outro lado do mundo. Em outra língua e com outras palavras, avós e defensores das crianças já repetiram muitas vezes “os piás só queriam jogar bola”. Continue lendo ““Os piás só queriam jogar bola””

O mundo em estado auto: automático e solitário

A mensagem foi autocorrigida por uma máquina que não sabe o que eu quero escrever e muda o que eu sinto sem pedir licença. Liguei pro banco e o meu problema é simples, basta procurar um autoatendimento. Desisti de correr para a terapia porque a autoajuda da moda parece funcionar. Nem pedir ao estranho morador para fotografar a minha pose turista preciso mais: o timing da câmera me permite um autorretrato silencioso. “Você precisa melhorar a sua autogestão“, ouvi. Continue lendo “O mundo em estado auto: automático e solitário”

Uma felicidade tamanha (ou ser feliz não é para momentos nobres)

Os dias estão densos. O calor se tornou abafamento, o cansaço acumulado dos 10 meses e meio arrasta os 45 dias que vem pela frente, notícias ruins parecem oxigênio: mesmo invisíveis, você tem certeza que estão ali e que, em algum lugar do mundo, uma grande desgraça está prestes a acontecer. Continue lendo “Uma felicidade tamanha (ou ser feliz não é para momentos nobres)”

Idealizar é querer que o outro seja previsível

Todos os dias eu respiro fundo. Não porque medito, mas porque preciso que o ar entre nos meus pulmões e comprima, pelo menos um pouco, a minha frustração. Porque quem cria expectativas demais às vezes parece transbordar. E a sensação de que falta só a gota d’água é uma sombra que está comigo sempre, não importa a incidência da luz. Continue lendo “Idealizar é querer que o outro seja previsível”