“Você pre-ci-sa ver essa série” e outras mentiras que te contam

Melhores amigos ou recém-conhecidos, tanto faz. O papo começa e dois minutos depois alguém comenta sobre uma série que eu não fazia ideia de existia ou simplesmente não tenho interesse em ver. O tom nunca é de sugestão. É quase impositivo. Geralmente me sinto olhando para uma daquelas máquinas de bolhas de sabão e cada circunferência furta-cor é um argumento. Minha vontade é virar as costas. Respondo com um sorriso amarelo e um “nossa, que demais! Vou ver, sim”. É mentira. Continue lendo ““Você pre-ci-sa ver essa série” e outras mentiras que te contam”

“Os piás só queriam jogar bola”

A terra do Oeste catarinense é vermelha. Um tom que era a marca registrada dos meninos da minha infância. Os pés, como carimbos, iam marcando o chão por onde passavam. Nem precisava contar: estavam jogando bola. Nasci há 46 quilômetros de Chapecó. Mas poderia ter nascido do outro lado do mundo. Em outra língua e com outras palavras, avós e defensores das crianças já repetiram muitas vezes “os piás só queriam jogar bola”. Continue lendo ““Os piás só queriam jogar bola””

O mundo em estado auto: automático e solitário

A mensagem foi autocorrigida por uma máquina que não sabe o que eu quero escrever e muda o que eu sinto sem pedir licença. Liguei pro banco e o meu problema é simples, basta procurar um autoatendimento. Desisti de correr para a terapia porque a autoajuda da moda parece funcionar. Nem pedir ao estranho morador para fotografar a minha pose turista preciso mais: o timing da câmera me permite um autorretrato silencioso. “Você precisa melhorar a sua autogestão“, ouvi. Continue lendo “O mundo em estado auto: automático e solitário”

Santa Catarina: estado de graça

Minha mãe conta que, quando criança, uma das suas brincadeiras favoritas era correr com os animais que eram criados em casa. Na época, uma necessidade. As melhores lembranças são reservadas para as galinhas, responsáveis pelos ovos harmonizados sem gourmetização com a polenta de todos os dias. Meu tio, 40 anos depois, mantém a pecuária como atividade. Continue lendo “Santa Catarina: estado de graça”

Nuvens negras não se atraem – mas mancham o seu olhar

Volta e meia entro numa cilada meio exotérica – nem sei bem como isso funciona, mas entro – e passo a acreditar em nuvens negras, infernos astrais e que um problema, definitivamente, atrai outro. Mesmo, no fundo, sabendo que nada disso procede, parece que as situações ruins tem um ímã entre elas e se puxam na velocidade da luz. Criam uma espécie de Twister da vida real, que vai arrasando a gente para um lugar no mundo onde nada está bom. Continue lendo “Nuvens negras não se atraem – mas mancham o seu olhar”