Mudar de opinião: um direito, um dever, um orgulho

Eu odiava figo. Banana, então, não podia nem sentir o cheiro. Achava que feministas eram radicais demais (beiravam o exagero). Não conseguia imaginar uma refeição sem carne. Repetia aos quatro ventos que videogame era coisa besta, perda completa e absoluta de tempo. Cotas? Um absurdo. Brigamos? É pra sempre. Comprar um apartamento? Maior sonho da minha vida. Continue lendo “Mudar de opinião: um direito, um dever, um orgulho”

No sertanejo, passaram os amigos e chegaram as amigas

Eu devia ter uns oito anos quando o show Amigos passava na Globo. Era um alvoroço só. Leandro & Leonardo, Chitãozinho & Xororó e Zezé Di Camargo & Luciano eram capazes de parar a cidade do interior que eles nunca pisaram, sequer ouviram falar. Tinha pipoca, tinha família na frente da TV, tinha as mesmas músicas repetidas à exaustão. Eu achava aquilo incrível e na época nem passava pela minha cabeça a ausência de mulheres naquele palco. Eram amigos. Homens. Pronto. Continue lendo “No sertanejo, passaram os amigos e chegaram as amigas”

Algumas coisas precisam de tempo – e você pode escolher aproveitar ou se frustrar por isso

O manjericão está plantado e crescendo. O último corte de cabelo foi um fiasco e o rabo de cavalo está lá como um artifício fajuto para que o comprimento volte. Não há nada que você possa fazer para acelerar as coisas. Só o tempo vai fazer com que elas aconteçam. Assim é tudo na vida. Mesmo que a gente às vezes finja que não. Continue lendo “Algumas coisas precisam de tempo – e você pode escolher aproveitar ou se frustrar por isso”

Meta de 2016: deixar de seguir não é deixar de amar o outro, mas amar mais a si mesmo

Eu perdi a minha lista de metas para 2016. Quis ser descolada e larguei o papel. Não funcionou, deletei o arquivo e esqueci tudo. Além de fazer exercícios e me alimentar melhor – itens que lideram a enfadonha tarefa de definir objetivos para os próximos 12 meses há uns 10 anos por aqui – lembro só de uma. Um metinha só, coisa pouca para 366 dias. O dia a mais do ano bissexto pareceu uma ironia do destino, para rir da minha falta de objetivos a cumprir. Continue lendo “Meta de 2016: deixar de seguir não é deixar de amar o outro, mas amar mais a si mesmo”

Flúvia Lacerda será capa da Playboy: o que eu, você e o mundo ganhamos com isso

Antes de mais nada, quero dizer que conheci Flúvia Lacerda numa das suas milhões de campanhas como modelo plus size. Depois, comprei uma revista Trip com ela de calcinha e sutiã na capa e me apaixonei por ela em uma frase que dizia mais ou menos assim: “não que ela ache ruim ser conhecida como a Gisele Bündchen do plus size, apenas gosta de imaginar que num futuro próximo as modelos plus size serão conhecidas apenas como modelo”. Continue lendo “Flúvia Lacerda será capa da Playboy: o que eu, você e o mundo ganhamos com isso”

“Você pre-ci-sa ver essa série” e outras mentiras que te contam

Melhores amigos ou recém-conhecidos, tanto faz. O papo começa e dois minutos depois alguém comenta sobre uma série que eu não fazia ideia de existia ou simplesmente não tenho interesse em ver. O tom nunca é de sugestão. É quase impositivo. Geralmente me sinto olhando para uma daquelas máquinas de bolhas de sabão e cada circunferência furta-cor é um argumento. Minha vontade é virar as costas. Respondo com um sorriso amarelo e um “nossa, que demais! Vou ver, sim”. É mentira. Continue lendo ““Você pre-ci-sa ver essa série” e outras mentiras que te contam”

“Os piás só queriam jogar bola”

A terra do Oeste catarinense é vermelha. Um tom que era a marca registrada dos meninos da minha infância. Os pés, como carimbos, iam marcando o chão por onde passavam. Nem precisava contar: estavam jogando bola. Nasci há 46 quilômetros de Chapecó. Mas poderia ter nascido do outro lado do mundo. Em outra língua e com outras palavras, avós e defensores das crianças já repetiram muitas vezes “os piás só queriam jogar bola”. Continue lendo ““Os piás só queriam jogar bola””