2016, esse ano mau que no fundo só queria ser legal


Quis começar 2016 tecnológica, focada, esperta. Ao invés dos bilhetinhos com as metas, decidi anotar meus objetivos para o ano numa nota no celular. Pois bem: fui checar a famigerada lista e ela não estava mais lá. Ficou mais difícil avaliar 2016. Então resolvi avaliá-lo de fora pra dentro.

Até porque, coitado, se depender do julgamento massivo e público, ele está condenado como teriam que estar os políticos que só começaram a ser investigados neste país. Mas na minha edição da retrospectiva, ele até que não foi tão mau.

Por exemplo, achei sensacional que algumas conversas, antes marginais, fossem parar no jantar de família, no cafezinho do trabalho. Meu 2016 teve Liniker e a liberdade de gênero. Teve a abertura das Olimpíadas e o orgulho de ser brasileiro – e Rafaela Silva, brilhante, maravilhosa. Teve Paralimpíadas e mais uma prova de que fragilidade física é bem diferente – e pode ser o oposto – de garra e força. Teve Madonna sendo Madonna, o que já é um presente para a vida de todos nós.

Teve Mangueira, Tijuca e “ahhhh, minha Portela” brilhando no Carnaval do Rio. Teve coluna da Maria Ribeiro, livro novo da Tati Bernardi, Aquarius e Elis. Teve Flúvia Lacerda na capa da Playboy, Taís Araújo e Lázaro Ramos protagonizando novela, show novo da Maria Rita.

Também teve tragédia que se transformou em conversa. O estupro coletivo, o caso Luiza Brunet e tantos outros que mobilizaram a sociedade para zerar a tolerância sobre a violência. Teve MC Biel que, bem… serviu pra gente ter certeza de que machistas não passarão. Teve – e tem e terá pra sempre – a tragédia da Chapecoense que mostrou como a gente é pequenininho e como o esporte vai muito além das quadras, campos, linhas, piscinas.

No fim das contas, posso ser alienada – percebam que não falei de política aqui porque esse é um assunto que reservo para momentos de extrema paz interior e não sei como andam seus nervos aí do outro lado – mas não acho que 2016 tenha sido um completo fracasso.

Desgraças aconteceram, sim. E em qual ano elas não se somam? Se, no jornal que embrulha o peixe de cada dia, as tragédias não pararam de se anunciar, na minha perspectiva também teve espaço para feminismo, solidariedade, arte, mudanças e conversas. Na minha retrospectiva, esse só foi um ano mau, que no fundo deu vários indícios que queria ser legal.

 

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