A árvore que viveu (e o sentimento de renascer)


Eu estou orgulhosa de Blumenau. Tenho muitos motivos para comemorar quando vivo numa cidade que consegue impedir o corte de uma árvore nem que, para isso, seja necessário desenhar (como as cores de giz de cera quase ironicamente riscaram o asfalto em frente à árvore), mesmo que seja necessário mobilizar, mesmo que seja necessário subir nos galhos para dizer que se a árvore morresse, morreríamos um pouco todos nós.

Ouvi dizerem que “é escândalo demais para o momento em que vivemos” e também “onde já se viu tudo isso por uma árvore”. Desenho, então: política se faz assim. Política se faz hasteando bandeira, mas também intervindo na rotina do lugar onde vive. Política se faz quando usamos plataformas como o Minha Blumenau (sou fã, sempre serei) para mostrar que fechar a rua para os carros é abrir a rua para as pessoas.

Política (esse termo que hoje será esgotado às últimas conseqüências) se faz quando a gente entende que somos todos seres políticos. Não é quando dissemos amém ao que se decide “lá” nem quando discordamos via redes sociais. Não é quando transformamos qualquer conversa de família num Fla-Flu em que todos perdemos.

Se construíram um prédio, a árvore não tinha nada a ver com isso. Agora, se quiserem derrubar a árvore, todos temos muito a ver com isso. Porque essa é só a ponta de um iceberg que faz com que a gente restrinja a nossa casa ao que está da porta pra dentro quando, na verdade, toda a cidade quer, pode e deve ser lar.

Hoje caminhei pela Rua Capitão Euclides de Castro em obras e consegui imaginar ali um calçadão arborizado e modelo para outras iniciativas. Hoje passei pela figueira da Rua Heinrich Hosang e senti orgulho de vê-la em pé. Hoje suspirei apaixonadamente por Blumenau. A cidade que estamos vendo recuperar o brilho nos olhos e o sentimento de pertencimento todos os dias. Às vezes graças a uma árvore que sobreviveu.

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