A meta é mudar o hoje


A lista de metas para o ano novo é quase um pergaminho pra muita gente. Exercícios físicos, alimentação mais saudável e voltar a estudar (inglês, mandarim, retórica…) são quase uma unanimidade. Tem também quem sonhe em empreender, outros para quem emagrecer é um objetivo e há ainda quem pretenda mudar: de casa, de trabalho, de marido. A lista de objetivos geralmente vive seus dias de jornal e embrulha peixe já na segunda semana de janeiro.

A tradição é sonhar com algo grande. Mudar algo arraigado na sua vida há muitos anos. Não pensamos em descobrir um exercício físico que nos agrade: a meta é puxar ferro seis dias por semana. Não planejamos adotar a segunda-sem-carne, queremos logo é abrir mão da proteína animal por cinco dias na semana. Pra quê planejar emagrecer devagar se podemos prever 10kg a menos em seis meses?

A esperança desta época nos torna audaciosos demais. A virada do ano não é uma chave que transforma os nossos pensamentos e, dirá, nossas atitudes. Toda mudança é processo, todo novo hábito é caminho – chegar é consequência.

É só parar pra pensar: quantas coisas absurdas planejadas em 31 de dezembro de 2014 se tornarão realidade 365 dias depois? Há quem tenha a sorte de nem lembrar a lista.

A nossa zona de conforto – e no dicionário um dos significados de conforto é “comodidade mental”, veja só – é mesmo um lugar lindo. Não exige esforço, dor ou incômodo. E quando planejamos sair dela num pulo, a falta que ela nos faz é um ímã para o retorno. Dizem os especialistas que a maneira mais acertada de dar o fora dessa região cômoda que tanto nos incomoda é ir aos poucos.

Se a ideia é pular de paraquedas e você tem medo de altura, que tal começar a tentar apreciar a vista de um edifício alto? Depois, quem sabe, que venha uma tirolesa. E assim, o paraquedas será só mais um passo. Aproximar os desafios da nossa realidade é torná-los mais factíveis.

E se uma das suas metas é ser mais feliz ou sentir mais gratidão, pense nisso todos os dias. Vale despertador no celular, post-it na tela do computador, lista na geladeira, escrever com batom no espelho do banheiro. Só não vale esperar até o próximo mês de dezembro. Porque assim como as suas conquistas que podem começar pequenas e se tornar grandiosas, a zona de conforto também pode crescer e te engolir. É tudo uma questão de escolha. De pequenas escolhas.

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