Caetano Veloso: funk, sertanejo e axé music são Tropicália inexplorada


Antes de mais nada, deixa eu esclarecer que amo Caetano Veloso. Não bastasse a música (motivo primeiro desse amor), ainda tem a postura, a história e a poesia. E hoje ele ganhou mais pontos comigo quando assisti à uma entrevista à BBC Brasil em que ele defende que funk, sertanejo e axé music são tropicálias inexploradas no Brasil.

Música é um ciclo infinito e perfeito de gratidão (defendi isso no TEDxBlumenau sobre o assunto). Quem compõe é grato a quem interpreta, quem toca é grato a quem afinou os instrumentos, quem ouve é grato a quem o apresentou aquilo. Se essa música é funk, MPB, bossa, soul, sertanejo, axé, forró, pop… é o que menos importa.

Claro que existe virtuosismo e técnica. Claro que existe poesia e onomatopéia. Mas também é claro que em todas existe valor e expressão. Existe letra machista e preconceituosa, sim. Mas também existe defesa do sincretismo religioso, música pra morena de qualquer cor, libertação em forma de acorde.

Quando Caetano diz que funk, sertanejo e axé music são Tropicálias inexploradas, ele diz ao mundo que está chato demais isso de achar que música é boa ou é ruim. A música precisa fazer sentido (no sentido racional e também emocional) pra quem ouve. E só. E isso é lindo.

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