Mareike Valentin


Hoje, minha amiga, só hoje – vê só, tenho me perdido no tempo – eu consegui parei para escrever sobre você. Na verdade eu, que sou egoísta com as palavras, só consigo escrever sobre você quando escrevo sobre mim. Porque não sei o que sentes quando cantas, mas sei o que sinto quando ouço. Não sei direito se cantas pra ti, pra ele, pro mundo. Egoísta que sou, não ligo. No meu sentimento bonito e inocente, cantas pra mim. E aí, quando a tua voz sai, desembaralha o meu emaranhado e faz céu de inverno da garoa que constantemente cai no meu peito.

É estranho sentir essa admiração tão distante por alguém que, apesar de não estar do meu lado todos os dias como eu gostaria que fosse, está perto. Tu és a Mareike da paródia no banco em frente ao boteco, do café reclamando da vida, das espoletas comemorações. Ao mesmo tempo, quando o piano te faz soltar a voz, tu és aquela que está no palco enquanto sou plateia, no vídeo enquanto eu sou espectadora, que solta as faíscas certas para incendiar o que há de escondido em mim.

Não sei se lido bem com isso ou lido tão mal que não ligo, sabe?

Mas de vez em quando eu me pego assistindo repetidamente teus vídeos ou ouvindo teu disco à exaustão. E aí eu tenho vontade de me transformar – cabelo, pele e sentimento – numa palavra ou numa frase que te mostre que os meus olhos marejados ao falar da tua música não são zelo, carinho, afeto: são o transbordar de tudo o que não cabe em mim quando tua voz me desembaraça e me bagunça inteira.

Como não sei te resumir – e que sacrilégio seria resumir um oceano inteiro em um litro de água salgada! – te divido. Sempre, o tempo todo, com quem posso. Já levei teu disco para uma amiga paulista, já passei teus vídeos para amigos de longe e de perto, só me falta sair na rua distribuindo tua música – e não seria má ideia já que vejo gente distribuindo flores que morrem, ao contrário da tua arte.

Eu conto pra todo mundo de ti, pra ver se ao dividir a admiração que eu tenho por ti cabe em mim. Mas, egoísta que sou, já disse, cada vez que conto pro mundo, fica um pouco mais da tua voz em mim e aí eu transbordo cada vez mais. De orgulho, de admiração, de afeto, de amor. De tudo o que há de lindo. De tudo o que tu faz por mim – já disse, nos meus sonhos infantis é pra mim que cantas – sem saber e hoje, só hoje, minha amiga, tu vê, eu consegui te contar.

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