Meu


Ele tem os pêlos do antebraço penteados ligeiramente para fora. A mão dele é bonita, mas ele não faz a unha e nem é excessivamente vaidoso. Anda arrumado mesmo sem passar horas na frente do espelho. Ele é culto sem ser chato e usa todo seu conhecimento pra me instigar a ler mais, ouvir mais, ver mais.

Tem duas paixões em comum comigo: café e música. Gosta de descobrir cafés charmosos e se encanta com músicas compostas e executadas com um violão. Na verdade, ele ama café e não vive sem música. Ah, claro: ele é uma pessoa eclética. Não canta bem, mas consegue me conquistar com suas desafinadas apaixonadas. Ele não gosta muito de dançar. Não chega a ser um cone no meio de uma festa e dança forró muito bem, mas prefere passos tímidos.

Ele adora comida. Não se importa em pagar para conhecer novos restaurantes. Ele gosta de temperos fortes, mas e vez em quando me convida pra um chinês. Não dispensa um filme com brigadeiro, embora não seja muito fã de doces. Ele abre a porta do carro, mas é por galanteio. É apenas por uma educação que também aparece na hora de comer e falar em público.

Ele sabe da minha mania insuportável de ficar me enrolando na cama antes de levantar e fica me fazendo cafuné pra piorar a situação. Ele sabe, também, que eu gosto de programas diários e que, mesmo com preguiça, eu adoro conhecer lugares novos e caminhar por aí.

É orgulhoso e vai me ensinar a ser adulta. Sabe o limite entre me dizer as verdades e me ofender. Fica com raiva de mim e jamais vai permitir que eu pise nele, mas entende quando meus olhos pedem as desculpas que meus lábios não conseguem pronunciar. É inseguro suficiente para querer me conquistar todos os dias e seguro o bastante para evitar ciúmes e confusões bobas.

Ele é moreno, tem um abraço melado e adora andar de mãos dadas. Mas quando estamos entre amigos, não fica colado em mim. Entende as minhas piadas e olha pro lado certo quando eu aperto sua mão. É simpático, mas não força a barra pra conquistar as pessoas. Mesmo no verão, ele não dorme com o ar condicionado no máximo. Dorme abraçado comigo, mas não necessariamente passa a noite inteira assim.

Gosta do que eu escrevo e fica suficientemente feliz quando lê uma ou duas frases subliminares. Consegue me deixar saltitante com comentários bons e com uma vontade doída de melhorar com o silêncio. Entende que sensações não verbalizadas criam lacunas que podem se encher de dúvidas e desconfianças.

Ele me surpreende sempre, em todas as situações. Se declara, mas não é clichê. Briga, mas não é intransigente. Dá lições de moral, mas não é chato. Quem nos vê de longe sabe que somos cúmplices, quem nos ouve tem certeza. O meu cara vai conseguir me tirar dessa angústia, mas vai me angustiar por amá-lo demais – e nós vamos conversar sobre isso, mesmo que no meio do papo a gente decida que o melhor mesmo é parar de falar.

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Promessa feita, promessa cumprida. Eu e o Fábio resolvemos colocar no papel os “nossos”. Quer ver como seria uma mulher perfeita pra ele? Clique aqui. Entre na brincadeira e escreva você também.

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4 Replies to “Meu”

  1. Eu promeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeto que eu volto auqi no teu blog pra ler com calma os teus textos 😡
    por que agora tô fazendo trabalho dai não dá tmepo 🙁

    Beijo Mariiina :**

  2. Nossa, que lindo! Muito melhor um amor assim, amor de verdade, entre duas pessoas. Não uma fundida na outra, como tem gente que acha. Lindo, lindo demais! 🙂

    ;*

  3. Puxa, acho que vou escrever sobre o meu também.
    Aí volto aqui pra colocar o link. Muito lindo Marina.

    Como vai você?

    Abração!

  4. Marina,
    Parabéns, adorei o blog. Já admiro seus textos no Duelo, mas aqui há muitas outras Marinas.
    Este texto está fabuloso!!
    Bjs

    Cris

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