Novas histórias para a Prainha


“Olha ali, a Prainha iluminada!”. Eu estava encantada em ver aquela cena. Deveria estar magoada pela demora que levou aquele lugar a ficar fechado por tanto tempo. Deveria estar querendo entender porque, depois do sucesso do Ramiro Ruediger como espaço de lazer, a Prainha não se tornou prioridade máxima. Mas, não. Eu só estava feliz.

– O que é lá?

A adolescente de 16 anos que estava no banco de trás do carro chegou a Blumenau antes de 2012, quando a Prainha foi, de fato fechada. Mas não chegou a conhecer o espaço.

Pensando bem, não posso dizer que fui assídua frequentadora, mesmo que tenha chegado aqui há 12 anos. Fui, talvez, uma dezena de vezes à Prainha. Duas foram marcantes. Numa, fiz um piquenique com amigas na beira do rio. Lembro que foi naquele momento em que aconteceu o clique e me encantei definitiva e verdadeiramente pela curva do rio – eu sei, falo muito dela por aqui. Na outra, assisti ao ensaio do Grupo Capivara, de incansáveis e incríveis músicos que mantém a chama do maracatu pulsando em Blumenau. Eles ensaiavam ao ar livre por lá, numa tentativa de substituir a perigo que afastava os moradores pelo poder aglutinador da música.

A alegria que eu senti ao ver os postes voltando a iluminar a Prainha é um sentimento que chega quase que por osmose. Tenho saudades do Skol Rock que não vivi, da concha acústica que pra mim sempre foi silêncio. Vejo fotos de remadores se misturando com as crianças que brincavam na beira do rio e sinto como se aquela história também fosse a minha.

Muita gente comemora a reabertura da Prainha porque viveu nela um passado bonito e quer viver coisas novas neste lugar. Eu e a garota que achou engraçado que Blumenau tivesse uma praia pra chamar de sua, celebramos porque teremos a oportunidade de construir a nossa relação de amor com aquele espaço.

É mais uma chance de Blumenau ser lar e se tornar a cidade que é a nossa casa, mesmo fora dos nossos portões. As flores nos canteiros podem até tornar o caminho mais agradável, mas estamos começando a aprender que a nossa própria cidade pode ser mais do que passagem: ter lugares que são destinos certos para o lazer.

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