Orgulho catarina


Há uma lenda que, no setor de tecnologia de uma das maiores empresas de bebidas do país, quando o problema é grande o suficiente para beirar o impossível, se use o “código 47”. Poderia ser a ativação de um comitê especial, mas é apenas um código mesmo. De área. Que estabelece uma ligação telefônica com uma região de Santa Catarina. Quando não há quem resolva por lá, se busca a solução na qualificação e na qualidade do trabalho dos profissionais daqui.

Eu não acreditaria nisso não fosse a marca de qualidade que uma série de empreendedores imprimiram ao nosso estado em várias áreas. Pessoas que, sem muito histórico naquele segmento, começaram um negócio com raça e, entrega a entrega, fizeram com que os olhos de clientes brilhassem quando a resposta para a pergunta “onde fica a sua empresa?” fosse Santa Catarina. Pessoas como Angelo Fantin, fundador das indústrias Parati, ou Eggon João da Silva, fundador da WEG, que faleceram este ano.

São os empregos gerados por essas pessoas que colocam Santa Catarina no topo dos rankings nacionais da qualidade de vida. As marcas que estes empreendedores criaram são as que motivam a arrecadação de impostos por aqui – e que consequentemente deveriam agilizar o asfaltamento de ruas, o atendimento público na saúde e as vagas de creches para a educação.

Nossas empresas centenárias são tão queridas (ou mais) do que os nossos times de futebol. Ou você não se orgulha em dizer que é do estado de onde vêm as peças da Cia. Hering, da Malwee e da Karsten? Não conta pra todo mundo que é do lugar onde se produzem as mostardas da Hemmer? Isso só para citar as que já passaram dos 100 anos.

São marcas que sobreviveram às crises, moedas, planos de governo, revoluções tecnológicas. Que muito provavelmente não teriam essa cultura da resiliência não fosse os seus fundadores. Empreendedores natos, motivados, perseverantes. Que sempre entenderam que um negócio nunca é apenas um negócio. Ele nasce pra mudar vidas, não importa o setor que ocupe. Mas importa onde ele foi criado.

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